|
Sinopse
Frank Sullivan (James Caviezel) está a viver uma situação
difícil, já que a sua relação amorosa
está a desmoronar-se e ele vive infeliz. Ele é detective
da polícia de New York, mas nem isso o consegue distrair,
pois a morte do pai há 30 anos atrás (em 1969), num
incêndio que tentava combater devido à sua excelente
profissão de bombeiro, deixou para sempre marcada a sua vida.
Eles não tiveram tempo de demonstrar um ao outro o quanto
se amavam, e isso criou uma lacuna enorme em Frank. Mas em breve
ela poderá ser preenchida, pois na noite especial de 10 de
Outubro de 1999, em pleno fenómeno da Aurora Boreal, Frank
encontra numa velha arca um antigo rádio transmissor, que
o seu pai adorava utilizar, entretendo os seus tempos comunicando
com pessoas que viviam por vezes muito distantes. E um "milagre"
acontece, e Frank, utilizando o rádio-amador consegue apanhar
na frequência o seu pai, John Sullivan (Dennis Quaid), que
vive ainda em 1969, dois dias antes da tragédia suceder,
permitindo assim contar-lhe como poderá escapar do incêndio
e evitar a morte que tanta dor causou à família.
Com 36 anos, Frank tem assim a possibilidade de finalmente ter conversas
com o pai, e dizer-lhe o quanto este é importante para ele.
Trazê-lo de volta à vida, impedindo que morra naquele
terrível incêndio onde se tornou um herói, abre
um novo mundo de oportunidades, mas também vai alterar outras...
por exemplo, a mãe, Julia (Elizabeth Mitchell), que tanto
o apoiou e sofreu após a morte do pai, vai correr perigo
de vida, já que anda um assassino à solta e ela está
na sua lista... É que ela, em vez de estar a velar a sua
morte, fica a trabalhar no Hospital onde é enfermeira, e
o assassino em série de enfermeiras que anda a actuar impune,
vai escolhê-la como a próxima vítima... e se
não conseguirem pará-lo a tempo, Frank vai perder
agora a mãe... Portanto pai e filho, separados no tempo mas
não no coração, vão tentar salvar a
mãe, para que possam finalmente viver em paz e com toda a
harmonia e felicidade a que têm direito (e que lhes tinha
sido injustamente retirada). A vida da mãe está por
um fio... será que eles vão conseguir evitar a sua
morte? Tudo vão tentar, nem que para isso tenham que dar
a sua vida. Com suspense e emoção, assistimos à
sucessão de acontecimentos.
À medida que os acontecimentos se alteram, a memória
de Frank muda, pois não foi aquela realidade que ele viveu.
A vida não é algo garantido, e infelizmente aprendemos
isso da pior maneira, quando perdemos aqueles que nos são
tão queridos.
Não foi apenas a cidade de New York que ficou iluminada,
mas também toda a vida de Frank e dos seus seres queridos,
que podem agora partilhar momentos e conhecimentos, dando mais valor
ao que realmente importa. Com muita saudade, alegria e também
choque por algumas revelações, este é um filme
pleno de emoção e acção. Com muito amor
familiar vão-se reconstruir vidas e sensações.
Temos aqui uma lição de vida. Aconselho vivamente.
Comentário
Envolvente, este filme que aborda o amor familiar e questões
emocionais inerentes.
Um filho que perdeu cedo o pai, lamenta nunca ter podido escutar
deste que o amava, mas nem tudo está perdido, pois felizmente
consegue "regressar" ao passado (através de um
rádio amador) e trazer o pai de volta, só que isso
vai implicar alterações no futuro...
Com alguns paradoxos na história, e certos pormenores interessantes
como o paralelismo entre o ano de 1969 e de 1999, já com
inovações tecnológicas (por exemplo, o telefone
passou a telemóvel), este é um filme que aconselho
a ver.
A importância de um pai, e a dor que a sua ausência
causa. Infelizmente sei bem o que isso é, pois o meu querido
e tão amado paizinho já faleceu há 11 anos,
e eu queria poder voltar o tempo atrás e dizer-lhe mais vezes
que o amava. Também aos meus restantes seres queridos que
já partiram, a minha querida avózinha materna, o meu
querido avô paterno (que não cheguei a conhecer), que
era o excelente poeta-escritor Mesquita Júnior, e o meu querido
avô materno, assim como o meu querido cãozinho, que
já tinha há 12 anos e era para mim como um filhinho
e partiu há 4 meses, deixando o meu coração
despedaçado. Quem me dera poder voltar atrás no tempo
e demonstrar mais aos meus seres queridos o quanto eu os amava!
Quem me dera ter-me preocupado menos com coisas sem importância,
e não ter dado as coisas (as vidas) como garantidas, e ter
apreciado cada segundo passado ao lado deles... e especialmente
quem me dera ter podido evitar a morte deles. Preferia morrer eu,
mil vezes, infinitas mais precisamente. A única coisa que
me consola é saber que um dia todos estaremos juntos de novo.
Por isso aconselho a todos: estimem bem os vossos seres queridos,
demonstrem o vosso amor cada dia, não percam tempo com coisas
inúteis, e não deixem para amanhã para começar
a fazê-lo, porque depois pode ser tarde demais. A vida não
é um sonho, mas se dermos o verdadeiro valor às coisas
realmente importantes, então sim poderemos torná-la
um sonho, até que um dia inevitavelmente tenhamos que acordar...
Engraçada a importância que os americanos dão
ao baseball e que está presente neste filme, pois é
graças à descrição que Frank faz duma
jogada no extraordinário jogo Mets-Orioles da World Series
no Shea Stadium (que ía "acontecer" no dia seguinte)
que John, naquele momento que se revelou decisivo, seguiu pelo caminho
mais difícil e sobreviveu.
Este filme tem excelentes efeitos pirotécnicos. Faz lembrar
a série Twilight Zone, em que tudo era possível. O
fantástico, a magia, a fé, tudo envolto.
É uma lição de vida que não deve perder.
Faz-nos meditar e dar mais valor às coisas essenciais, o
que é excelente.
(*) Textos de Ana Paula Mesquita especialmente para o regiaocentro.net
|