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Lily Bart
(Gillian Anderson) é uma encantadora dama de relevo na
sociedade, à altura do seu sucesso, a qual depressa descobre
a precariedade da sua posição, quando a sua beleza
e charme começam a atrair interesse indesejável
e inveja.
Dividida entre o seu coração e a razão, Lily
parece sempre fazer a coisa certa na altura errada. Ela procura
um marido rico e tentando estar conforme as expectativas sociais,
ela perde a sua oportunidade de amor verdadeiro com Lawrence Selden
(Eric Stoltz). A sua busca de um marido chega a um fim escandaloso
quando ela é falsamente acusada de ter um romance com um
homem casado, e é rejeita pela sociedade e os seus amigos.
"A Casa
da Felicidade" foi dirigida e adaptada por Terence Davies,
baseada no romance "The House of Mirth" de Edith Wharton
(autora de "A Idade da Inocência", com o qual
ganhou o Prémio Pulitzer. Esta autora nasceu em 1862 e
morreu em 1937, mas as suas obras são intemporais).
Comentário
Num mundo injusto, onde infelizmente prevalecem as aparências,
invejas e hipocrisias, este filme é um alerta e uma brisa
de ar fresco, que nos faz meditar no importante e consequentemente
no supérfluo.
Um romance
intemporal, com nível narrativo e estético. Com
densidade, aura, apelo universal e contemporâneo, é-nos
transmitida a consternação de alguém profundamente
"injustiçado" e dividido entre o correcto e o
conveniente, o amor e o dinheiro. A tão frequente fachada,
crueldade da humanidade neste mundo (quase) sem compaixão,
por vezes, que pode levar ao abismo aqueles que não encontram
a força suficiente (e o apoio) para superar a tempo semelhante
prova...
Gillian Anderson,
a famosa agente Scully da série "Ficheiros Secretos",
compôs de forma excelente a complexa e multi-facetada personagem
de Lily Bart, a heroína da história. A beleza de
Lily não se limita ao aspecto exterior, ao seu charme,
mas ela também é complexa e tem corrupção,
o que, apesar de não ser atractivo, reforça mais
o contraste com aquilo que atrai nela. Mas ela tem o senso da
moralidade, sabe discernir. No início isso nota-se vagamente,
mas essa moralidade torna-se cada vez mais forte. Com emoção
assistimos à rejeição de alguém que
outrora foi "venerado", à constatação
do fraco poder exercido, mas ainda assim com força para
lutar.
Filmado em
Glasgow, na Escócia, devido à existência da
bela arquitectura Victoriana, com imponentes mansões e
monumentos que denunciam a prosperidade, sem paralelo, da época.
Terence Davies soube captar com as suas lentes especiais, e a
forma como enquadra os actores, toda a beleza sublime do final
do século passado.
"House
of Mirth" é o título original do filme. "Mirth"
significa alegria, júbilo, felicidade, daí a tradução,
que revela algo do desejo de todos nós, no fundo, que é
ter um lar e uma vida plenos de felicidade.
(*) Textos
de Ana Paula Mesquita especialmente para o regiaocentro.net
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