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Este filme
é uma adaptação do polémico romance
de Bret Easton Ellis - American Psycho.
Christian
Bale numa excelente interpretação de Patrick Bateman,
um poderoso executivo que vive num mundo de pessoas indiferentes
onde as roupas têm mais valor que a pele, os objectos são
mais importantes que os ossos, e a alma humana é algo que
se tenta obter usando facas, machados, conspirações
e outras coisas do género.
Poucas personagens
personificaram uma época de forma tão perturbadora
como Patrick Bateman. Do mesmo modo que FRANKENSTEIN nos deu um
monstro na sua altura, AMERICAN PSYCHO dá-nos um monstro
para o final do século XX. Mostrando a vida urbana contemporânea
através dos olhos de um assassino em série - forçando
a entrar na sua mente e entender os seus motivos - é exposta
uma visão que é terrível e arrepiante.
Comentário
Este filme é uma sátira aos excessos dos anos 80,
ao comportamento e relações das pessoas, à
obsessão com o aspecto exterior, com a perfeição,
imoralidade, o desejo crescente de estímulo (ou de estímulo
crescente), que leva ao consumo de drogas, dinheiro, som, cor,
acção... e o isolamento emocional, expresso no vício
de Bateman pelo vídeo e pela música... E o facto
dele não ter um passado, uma história, família,
nenhumas características reais para além das etiquetas
nas suas roupas...torna-se complexo. Ele como que personificou
o ambiente vivido na altura. Não é propriamente
uma pessoa, mas um fenómeno (maquiavélico). Insensível,
sem emoções, apenas sente ganância e repugnância,
num mundo consumista e de total indiferença perante os
problemas alheios. Imperando a inveja, a ambição
ilimitada e a ostentação, é evidente que
reina a ausência de valores morais... e Bateman alucinado
supera tudo isso no pior sentido, eliminando tudo aquilo que não
lhe agrada ou que lhe faz "concorrência".
Este filme
aborda também questões acerca da personalidade,
do poder que cada um tem nas mãos, neste caso de tirar
até a vida, caso assim o deseje, com a maior facilidade
e crueza que se possa imaginar. Numa reflexão sobre a "actual"
sociedade, este filme é absorvente e retrata comportamentos
e mentalidades latentes. A aparente pacatez de certas personagens
revela-se falsa e imprevista.
Muita da
hostilidade de Bateman é dirigida às mulheres, o
que provocou uma onda de manifestos feministas.
Bateman começa
a perder a noção da realidade. Na 3ª parte
ficamos na dúvida se aquilo a que estamos a assistir é
"realidade" ou se são alucinações
de Patrick.
Resumindo,
um filme polémico, que tem defraudado algumas expectativas,
mas que é uma sátira à vida social contemporânea,
à vida dos "yuppies" de Wall Street, no período
alto da época de Ronald Reagan (anos 80), recheada de preocupações
fúteis. Serve de crítica social, portanto.
Trata da
transparência ilusória dos seres e respectivos comportamentos.
Obcecados com a imagem, com a aparência, vivem pensando
em marcas, em coisas supérfluas. "Matam-se" por
ter reserva num bom restaurante, por ter o melhor cartão
de visita (esta cena dos cartões é deveras importante,
pelo pormenor com que nos é demonstrada a "concorrência"
e superficialidade existentes). O prestígio e o materialismo
valem mais do que o resto... o culto do indivíduo, do egoísmo
e insensibilidade são evidentes. Patrick tem apenas 27
anos, mas eterna maldade...
A cena da
motoserra faz mesmo lembrar "O Massacre no Texas", um
dos filmes que vi na minha adolescência e que me impressionou.
Com humor
negro, e sendo a violência não apenas física,
mas também psicológica, este filme dá-nos
que pensar , duvidar e até arrepiar. Mas, apesar do final
imprevisto, algumas das cenas são adivinhadas de antemão.
(*) Textos
de Ana Paula Mesquita especialmente para o regiaocentro.net
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