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Cinema - American Psycho

Elenco: Christian Bale (Patrick Bateman), Willem Dafoe (Detective Donald Kimball), Jared Leto (Paul Allen), Josh Lucas (Craig McDermott), Samantha Mathis (Courtney), Matt Ross (Luis Carruthers), Bill Sage (David Van Patten), Chloe Sevigny (Jean), Cara Seymour (Christie), Justin Theroux (Timothy Bryce), Guinevere Turner (Elizabeth), Reese Witherspoon (Evelyn)
Realização: Mary Harron
Produção: Edward R. Pressman, Chris Hanley, Christian Halsey Solomon Produção Executiva: Michael Paseornek, Jeff Sackman, Joe Drake
Género: Terror
Idade: M/12
País de Origem: EUA



Site oficial
http://www.americanpsycho.com



Sinopse

Este filme é uma adaptação do polémico romance de Bret Easton Ellis - American Psycho.

Christian Bale numa excelente interpretação de Patrick Bateman, um poderoso executivo que vive num mundo de pessoas indiferentes onde as roupas têm mais valor que a pele, os objectos são mais importantes que os ossos, e a alma humana é algo que se tenta obter usando facas, machados, conspirações e outras coisas do género.

Poucas personagens personificaram uma época de forma tão perturbadora como Patrick Bateman. Do mesmo modo que FRANKENSTEIN nos deu um monstro na sua altura, AMERICAN PSYCHO dá-nos um monstro para o final do século XX. Mostrando a vida urbana contemporânea através dos olhos de um assassino em série - forçando a entrar na sua mente e entender os seus motivos - é exposta uma visão que é terrível e arrepiante.

Comentário


Este filme é uma sátira aos excessos dos anos 80, ao comportamento e relações das pessoas, à obsessão com o aspecto exterior, com a perfeição, imoralidade, o desejo crescente de estímulo (ou de estímulo crescente), que leva ao consumo de drogas, dinheiro, som, cor, acção... e o isolamento emocional, expresso no vício de Bateman pelo vídeo e pela música... E o facto dele não ter um passado, uma história, família, nenhumas características reais para além das etiquetas nas suas roupas...torna-se complexo. Ele como que personificou o ambiente vivido na altura. Não é propriamente uma pessoa, mas um fenómeno (maquiavélico). Insensível, sem emoções, apenas sente ganância e repugnância, num mundo consumista e de total indiferença perante os problemas alheios. Imperando a inveja, a ambição ilimitada e a ostentação, é evidente que reina a ausência de valores morais... e Bateman alucinado supera tudo isso no pior sentido, eliminando tudo aquilo que não lhe agrada ou que lhe faz "concorrência".

Este filme aborda também questões acerca da personalidade, do poder que cada um tem nas mãos, neste caso de tirar até a vida, caso assim o deseje, com a maior facilidade e crueza que se possa imaginar. Numa reflexão sobre a "actual" sociedade, este filme é absorvente e retrata comportamentos e mentalidades latentes. A aparente pacatez de certas personagens revela-se falsa e imprevista.

Muita da hostilidade de Bateman é dirigida às mulheres, o que provocou uma onda de manifestos feministas.

Bateman começa a perder a noção da realidade. Na 3ª parte ficamos na dúvida se aquilo a que estamos a assistir é "realidade" ou se são alucinações de Patrick.

Resumindo, um filme polémico, que tem defraudado algumas expectativas, mas que é uma sátira à vida social contemporânea, à vida dos "yuppies" de Wall Street, no período alto da época de Ronald Reagan (anos 80), recheada de preocupações fúteis. Serve de crítica social, portanto.

Trata da transparência ilusória dos seres e respectivos comportamentos.
Obcecados com a imagem, com a aparência, vivem pensando em marcas, em coisas supérfluas. "Matam-se" por ter reserva num bom restaurante, por ter o melhor cartão de visita (esta cena dos cartões é deveras importante, pelo pormenor com que nos é demonstrada a "concorrência" e superficialidade existentes). O prestígio e o materialismo valem mais do que o resto... o culto do indivíduo, do egoísmo e insensibilidade são evidentes. Patrick tem apenas 27 anos, mas eterna maldade...

A cena da motoserra faz mesmo lembrar "O Massacre no Texas", um dos filmes que vi na minha adolescência e que me impressionou.

Com humor negro, e sendo a violência não apenas física, mas também psicológica, este filme dá-nos que pensar , duvidar e até arrepiar. Mas, apesar do final imprevisto, algumas das cenas são adivinhadas de antemão.

(*) Textos de Ana Paula Mesquita especialmente para o regiaocentro.net

Uma realização Ectep,Lda.