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"Chocolate",
uma fábula divertida. Conta a história de uma mãe solteira, Vianne
Rocher (Juliette Binoche), que em 1959 chega a Lansquenet, uma
pequena e pacata localidade francesa, com a filha Anouk (Victoire
Thivissol). Vianne quer abrir uma loja de chocolates, mas logo
é mal interpretada pelo preconceituoso conde de Reynaud (Alfred
Molina), que pensa que ela quer desestabilizar a população com
as suas tentadoras delícias de chocolate.
Vive-se uma época especial, a entrada na Quaresma, e como nessa
altura se apela à abstinência e ao sacrifício, o conde pensa que
as iguarias são uma tentação e um pecado para os pacatos habitantes
da aldeia. O hipócrita conde, suposto defensor da moral, mas com
alguns pecados ocultos, tentará impedir Vianne de levar adiante
o seu projecto, tentando impedir que os habitantes frequentem
a loja, mas nada voltará a ser como dantes pois ela irá influenciar
a vida deles, tornando-a mais amena, afável e feliz. Os preconceitos
serão vencidos e darão lugar à tolerância e à fraternidade humana,
que deveriam reinar em todo o lugar e coração. De "pecadora" Vianne
passará a "salvadora", o que muito a fará feliz, pois inclusivé
encontrará o amor (em Roux - Johnny Depp) e a redenção, após tantos
obstáculos ultrapassados.
Todos ficarão seduzidos pelas iguarias e convertidos... até mesmo
o conde... tudo terminando em bem.
Comentário
Engraçado como neste filme os doces, mais precisamente os chocolates,
levam as pessoas a revelar-se... a libertar-se...
Está provado que o chocolate relaxa as pessoas, que as faz tornar
mais alegres e despreocupadas, permitindo assim viver a vida com
mais ânimo e felicidade. Claro que não se deve abusar, senão os
diabetes e as cáries atacam...
Os falsos moralismos são aqui também focados, e a liberdade de
cada um, o direito à mesma. E o direito à diferença, com o respeito
por ela. Defende a tolerância, os valores essenciais: amor, fraternidade,
sinceridade, amizade.
É uma história que poderia passar-se em qualquer altura. Tem bons
actores, uma história interessante e por vezes até engraçada.
Judi Dench interpreta aqui Armande, uma avózinha refilona, mas
com bom coração, que aluga a loja a Vianne. Johnny Depp é Roux,
um sofredor que se sente excluído pelos outros, até descobrir
o amor de Vianne. Mostra que muita gente vive de aparências para
não causar falatórios, numa aparente harmonia, mas constante repressão.
Até descobrir a essência da vida, que, como já referi anteriormente,
se resume principalmente ao amor e à sinceridade e respeito entre
as pessoas.
Teve as seguintes nomeações ao Oscar: Melhor Filme, Melhor Actriz
(Juliette Binoche), Melhor Actriz Secundária (Judy Dench), Melhor
Argumento Adaptado (Robert Nelson Jacobs) e Melhor Orquestração
(Rachel Portman). Um filme doce.
(*) Textos
de Ana Paula Mesquita especialmente para o regiaocentro.net
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