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Peter Garrett
(Chris O' Donnell) vive com o sentimento de culpa de ter morto
o próprio pai num acidente de alpinismo, cortando a corda que
os segurava, para se poder salvar e à sua irmã, Annie (Robin Tunney).
Três anos passaram, durante os quais Peter viveu numa espécie
de recolha espiritual. A irmã nunca lhe perdoou, e isso fez com
que se desentendessem e afastassem. Annie é bastante independente
e desportista. Tal como o pai, adora escalar, é a sua paixão,
e essa é a forma que ela encontra de lhe prestar homenagem. Tornou-se
uma alpinista famosa, dedicando-se totalmente. Numa das suas escaladas,
o impensável acontece e fica presa, com mais duas pessoas (Tom
McLaren e Elliot Vaughn) na K2, a segunda montanha mais alta do
mundo e a mais temida. Peter, apesar de não escalar desde o acidente,
nem pensa duas vezes, ele quer ir salvar a irmã a todo o custo,
nem que para isso tenha que morrer. Seria pior para ele viver
sem sequer ter tentado... Ele só se preocupa em tirá-la dali.
Quer fazê-lo, e dará todo o seu melhor para tal.
Organiza
uma expedição e parte em seu socorro na companhia de mais cinco
intrépidos alpinistas. A vida de 3 pessoas depende da coragem
de 6... Neste filme a montanha tem significado diferente para
as personagens: Para Elliot Vaughn, um empresário abastado, egoísta
bilionário do Texas, é apenas uma forma de apreciar a vista e
observar o seu domínio... Devido à sua ambição cega, ele leva
aquelas pessoas a uma situação extremamente perigosa e fatal.
Sem escrúpulos nem remorsos, ele não se importa de deixar naquela
montanha qualquer pessoa, desde que não seja ele próprio... Tem
uma filosofia de sobreviver à catástrofe oposta à de Annie.
Ela preferia
dar a sua própria vida para salvar alguém. Ele pensa em si próprio,
acha que salvar a própria pele é a coisa mais nobre a fazer. Ele
tem dinheiro novo, mas não tem a velha classe... É superficial
e insensível. Scott Glenn interpreta o excêntrico mas ainda reverenciado
Montgomery Wick, um misterioso e famoso alpinista que lida com
uma tragédia pessoal e vive de forma tão extrema. Izabella Scorupco
interpreta Monique, uma personagem forte, que passou muito tempo
rodeada de homens e começa a comportar-se um pouco como eles.
É algo introvertida, porque crê que mais vale ficar calada e agir.
Ela concorda em juntar-se a Peter na sua missão de resgate, por
razões egoístas e interesseiras, mas depois descobre que é mais
do que ela esperava...
Ela sente
que precisa do dinheiro, e vai por esse motivo, mas a caminho
do topo apaixona-se por Peter... O actor canadiano Nicholas Lea
interpreta o respeitável e leal líder da expedição, Tom McLaren.
Após muita insistência do seu cliente (Elliot Vaughn) ele concorda
em tentar atingir o cume da íngreme K-2. A maior dificuldade que
ele enfrenta é a decisão que tem que tomar na montanha. É uma
má decisão, porque se vêem encurralados na fenda do glaciar, e
ele sente-se responsável e tenta fazer seja o que for para se
redimir. Nesse aspecto assemelha-se a Peter, porque também se
quer redimir de um erro cometido... Alexander Siddig interpreta
Kareem, o devoto carregador Paquistanês, uma boa pessoa. Steve
Le Marquand interpreta Cyril Bench, um dos dois jovens irmãos,
alpinistas muito experientes e audaciosos, que se oferecem para
ajudar Peter na sua arriscada missão. Ben Mendelsohn interpreta
o outro irmão, Malcolm Bench.
A operação
de resgate começa e parece ter pela frente uma missão impossível,
devido aos enormes riscos da montanha e às imprevisíveis condições
climatéricas, mas estes heróis tudo farão para salvar a equipa
perdida na montanha e soterrada na neve, numa fenda laciar, destinada
a morrer em poucas horas (menos de 36) se não conseguirem chegar
a tempo...
Comentário
Emocionante
filme, com cenas lindíssimas, numa corrida contra o tempo para
salvar a equipa perdida nas montanhas e condenada a morrer em
poucas horas. O Homem contra os seus próprios limites e o espantoso
poder dos incontroláveis elementos da natureza. Uma luta pela
sobrevivência, com muita emoção. Muita adrenalina e espectaculares
efeitos especiais, neste filme de Martin Campbell, onde um grupo
de pessoas parece dirigir-se para o suicídio, enfrentando o abismo
da traiçoeira montanha, na tentativa de salvar a equipa soterrada.
Fica patente o grande esforço humano e o desafio mental e físico.
Aquelas pessoas enfrentaram graves perigos, como o de edema cerebral
e paragem cardíaca, levando à morte...
Note-se que
há mais pessoas a morrer na montanha devido a edemas, do que a
quedas... É um filme sobre relacionamentos, amor, família e coragem.
Amor algo danificado no início, mas que se fortalece a afirma
no final. No início do filme Peter tem que cortar a corda que
o prende à família, tendo que sacrificar o pai, mas no final ele
parece ser redimido, ao salvar a irmã, e fortalecendo assim o
"laço" familiar... Vale a pena assistir a este filme, com capacidade
de nos arrepiar e fazer questionar o que verdadeiramente importa
na vida. Curiosidades: No filme era suposto estarem a 26.000 pés,
mas na realidade os actores encontravam-se a 10.000.
No total,
cerca de 50 alpinistas participaram no filme. Os actores tiveram
um mês de treino com os alpinistas, tendo-se revelado uma experiência
enriquecedora e inesquecível, um grande desafio. Contam que ao
escalar apenas se pensa no presente. O passado e o futuro são
ignorados. Uma substância, Dexametasona ("Dex") pode fazer a diferença
entre a vida e a morte no filme, numa corrida contra o tempo,
pois pode temporariamente tratar a indisposição causada pelas
altitudes. Foi construído um estúdio especial e climatizado, para
as cenas de locais mais íngremes. De mencionar o facto de Ed Viesturs
participar no filme, interpretando-se a si mesmo. Ele que já escalou
12 dos 14 mais altos cumes do mundo sem oxigénio, e se prepara
para escalar os outros 2 durante os próximos 2 anos...
Viesturs
serviu como consultor para o filme. O fascínio das montanhas atrai
bastante os audaciosos alpinistas, que desejam superar incríveis
limites lógicos. É muito difícil escalar essa montanha e conseguir
descer vivo... Estas pessoas testam o limite, mas arriscam as
suas próprias vidas, e as dos outros... Conforme as circunstâncias,
neste caso de vida ou de morte, e na própria situação, é que sabemos
como iremos reagir... mas... até que ponto será lícito arriscar
a vida alheia?...
(*) Textos
de Ana Paula Mesquita especialmente para o regiaocentro.net
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