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>HISTÓRIA
No lugar
da Senhora do desterro foram encontrados vestígios que atestam
a presença romana neste local. Algumas destas peças
encontram-se expostas no Museu Municipal da Figueira da Foz. Na
base da torre de menagem foram utilizados blocos de cantaria encontrados.
No Museu Machado de Castro está a lápide de Lúcio
Cádio Cela. Foi também encontrada uma lápide
de Júpiter. Uma
pedra bárbaro-popular atesta a presença dos
Visigodos.
Durante o século
VIII a península foi ocupada pelos mouros o que originou
um período de lutas intensas. Tendo uma situação estratégica
e privilegiada na linha do Mondego o castelo de Montemor desempenhou
um papel importante. No ano de 878 Coimbra foi tomada por Afonso
III o que originou o repovoamento de Montemor. Mas passados poucos
anos (990) o castelo é novamente recuperado por Almançor
que o dá ao governo de Froila Gonçalves. Os cristãos
voltam a conquistar esta terra no reinado de Afonso V para em 1026
voltar a cair nas mãos dos mouros. É com Gonçalo
Trastamires que, em 1034, se recupera Montemor para território
cristão e se reconquista de forma definitiva a linha do Mondego.
É no
ano de 1095 que o governador de Coimbra, D. Raimundo, aproveitando
a calmia, concede uma carta de povoação. Mas um novo
ataque dos mouros em 1116, destrói o castelo de Santa Olaia
pondo em perigo o de Montemor que consegue resitir. Em 1117 o castelo
é reedificado. D. Teresa e D. Sancha receberam de seu pai,
D. Sancho I, a doação do senhoria de Montemor-o-Velho
e em 1212 concederam-lhe foral. D. Afonso III no ano de 1248 confirma
o documento. A povoação era pequena durante a Idade
Média pois estava limitada pelos muros do castelo e a área
que os circundava. Nesse tempo as freguesias existentes eram Santa
Maria Madalena, Salvador, Alcáçova, São Martinho
e São Miguel.
É neste
castelo que se decide por termo à mais bela história
de amor da história de Portugal. O rei Afonso IV irá
para sempre escurecer o seu reinado com a morte da jovem Inês
de Castro, mãe de seus netos bastardos, enamorada por seu
filho D. Pedro, futuro rei de Portugal. Foi a 6 de Janeiro de 1355
que reunido o conselho do monarca se decidiu acabar com a vida desta
mulher.
O "concelho
e termo" de Montemor-o-Velho recebeu foral novo de D. Manuel I em
1516. Neste foral está patente a grande importância
económica da região, cuja actividade principal era
a agricultura que se fazia nos campos da margem do Mondego. O transporte
da produção aqui recolhida era feito de barco para
vários pontos do país já que se podia navegar
no Mondego. Neste período a vila cresceu muito seguindo a
prosperidade económica. Aumentou o seu casario e também
se ergueram alguns solares e igrejas. Um dos importantes homens
desta terra foi Fernão Mendes Pinto que daqui saiu para Oriente.
Aqui morreu e foi a sepultar, na Igreja do Convento dos Anjos, Diogo
de Azambuja. destaca-se também Jorge de Montemor, poeta.
Com a elevação
a vila da Figeuria da Foz o termo de Montemor é reduzido,
facto que associado ao assoreamento do rio provocou a decadência
da vila, no início do século XVII.
Mas uma
nova era de progresso surge com a "revolução do arroz".
O sopé
da encosta do castelo acolhe a população nos séculos
XIX e XX. E apesar das grande cheias provocadas pela subida das
águas do Mondego, o tempo de paz libertaram os limites do
castelo a uma nova povoação. Apenas na década
de setenta são controladas as águas do rio que provocavam
as cheias, com a regularização do seu caudal.
Texto
de Salomé Joanaz especialmente para o regiaocentro.net
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