>MONUMENTOS
TORRE DE BUARCOS OU REDONDO
Imóvel em Vias de Classificação, Dec. Nº
2, DR 56 de 6 de Março de 1996.
No ponto mais alto de um monte, no sítio chamado Castelo
Velho, existem ainda as ruínas de um antigo castelo medieval.
Dada a sua implantação no terreno, devia estar na
sua origem a existência de um povoado castrejo. Os numerosos
caracteres fenícios que ainda perduram em grande parte na
população de Buarcos, apontam para a fixação
de uma importante colónia fenícia, ao lado e sob a
vigilância da fortaleza lusitana.
Mais tarde, no ano 46 a.C., foi a vez dos Romanos ocuparem o castelo
lusitano. Não só o aproveitaram, como também
o adaptaram a fim de servir de base de ocupação e
protecção ao pequeno porto marítimo.
Entre 1070 e 1080, e por conveniência dos próprios
Lusitanos, o castelo foi ocupado pelo conde Sisenando que fez nele
posteriores restauros, construindo, inclusivamente, duas torres
junto do embarcadouro, para além de uma couraça de
ligação à antiga fortaleza, para melhor protecção
contra os corsários que já infestavam estas costas.
Desta torre, também designada como "Castelo de Buarcos"
ou "Castelo de Redondos", subsiste apenas um cunhal, reparado
em 1854. É o monumento mais antigo da actual área
da cidade da Figueira da Foz. Vem citado numa doação
de D. Afonso Henriques, de Junho de 1143.
Pertenceu à Universidade de Coimbra e ao Mosteiro de Santa
Cruz, entre outros.
Se quisermos recuar ainda mais no tempo, o Castelo de Buarcos atesta
a sua categoria castrense. Posterior a esse período, o chefe
árabe Abdurrhaman, em 844, manda construir um castelo para
defesa do litoral contra as incursões dos piratas normandos.
Teria sido um pequeno castelo, também denominado por Torre.
Foi demolido, por ordem do Ministério das Obras Públicas
a 30 de Outubro de 1854: "Das ruínas e demolição
do antigo castelo da vila de Redondos e Buarcos foi salvo e reparado
este cunhal do Torrião, pelo Engenheiro Hydrographo Francisco
Maria Pereira da Silva, para servir de marca aos marítimos
e de sinal aos trabalhos geodésicos e topográficos
do reino; (...)".
No reinado de D. Afonso IV o castelo teria servido de prisão.
No de D. João I, em carta de sentença, fora mandado
restituir ao Mosteiro a torre com a sua vinha, por não ser
reguengo, quando o rei o trocara pelo Castelo de Noudar, em Barrancos.
Em Agosto de 1570, em Maio de 1602 e ainda em Junho de 1629, o local
de Buarcos sofreu constantes desembarques de corsários ingleses.
Na incursão de 1602, sob o comando do audacioso Francis Drake,
a armada pirata era constituída por 7 naus. Desembarcaram
em Buarcos, saqueando e incendiando a vila para depois seguirem
para o lugar da Figueira da Foz, onde praticaram crimes idênticos.
Uma brigada de reconhecimentos militares destinada a proceder, em
1890, ao estudo do litoral desde o Mondego até ao Sado, fez
referência ao "velho castelo quadrado que se erguia sobranceiro
à povoação". Incluiu, entre as medidas
ajustadas a impedir um desembarque na enseada de tropas inimigas,
a colocação de uma bateria de seis bocas de fogo na
posição do castelo.
Situado no cruzamento da Rua de Santa Cruz com a Rua do Castelo.
Informação e imagens gentilmente cedidas
pela Câmara Municipal da Figueira da Foz - Departamento de
Cultura - Divisão Gestão de Espaços e Projectos
Culturais