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Universidade
- Coimbra
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| Coimbra,
capital do saber português. Detentora da 3ª
universidade mais antiga de toda a Europa e de uma biblioteca
cujos móveis exibem a beleza da madeira exótica
oriunda do Brasil... |
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>UNIVERSIDADE
Em 12 de Novembro de 1288, vários eclesiásticos
do reino dirigem uma petição ao papa Nicolau IV, a
fim de ser instituído em Portugal um Estudo Geral. Esta petição
encontra-se no Livro Verde - cartulário universitário
do século XV. Em 1 de Março de 1290 D. Dinis funda,
em Lisboa, a Universidade Portuguesa. Em 9 de Agosto de 1290 o papa
Nicolau IV confirma por bula a criação da Universidade.
O documento pontifício dirigido à "Universidade
dos mesteres e seculares de Lisboa", determinava que podiam
ser ensinadas na Universidade todas as "faculdades lícitas"
(licite facultatis), com excepção da Teologia. A determinação
excluía automaticamente a prática da magia, da nigromância
e artes afins.
As primeiras faculdades a constituírem-se foram as de Artes,
Leis, Cânones e Medicina. Aí se começou a ensinar
o Direito Civil, o Direito Canónico, a Gramática,
a Lógica, a Filosofia Natural e a Medicina. Alguns autores
dizem-nos que na Universidade se ensinavam as disciplinas do quadrivium,
desde a sus fundação e que estas disciplinas eram
genericamente designadas de "artes", visto haver um texto
(apenas um) em que a palavra aparece. Fala-se também de um
documento de meados do século XIV que parece relacionar-se
com a Universidade, e de uma alusão ao quadrívio que
aparece no instrumento de doação de umas casas que
o infante D. Henrique doou ao Estudo Geral em 1431. Nesta doação
refere-se a Geometria, a Astronomia, a Aritmética e a Música
como disciplinas instaladas que o infante desejaria ver florescer.
Não há documentos que refiram o ensino destas disciplinas
antes da doação, nem que elas tivessem sido posteriormente
ensinadas com carácter de continuidade. Há motivos
para efectivamente se julgar o carácter esporádico
do ensino das disciplinas indicadas na doação, tanto
mais que na centúria de quatrocentos apenas se conhece um
lente em Matemática, João Galo, aparecido em documentação
avulsa de 1437 (História da Universidade de Coimbra de Teófilo
Braga, vol. I, pg., 188) e não existe nenhum astrólogo
da Universidade entre os convocados para colaborar nos trabalhos
náuticos.
Em 1308 o papa Clemente V autoriza a transferência da Universidade
de Lisboa para Coimbra. Ficou instalada no espaço onde hoje
se encontra a Biblioteca Geral e antes de 1950 estava o Colégio
de S. Paulo e chamava-se Estudo Geral Dionisiano ou Estudos Velhos
Dionisianos. Provisão datada de 6 de Dezembro de 1334 ordena
a transferência da Universidade para Coimbra. Em 1354 foi
trasladada de Lisboa para Coimbra. Em 1377 a Universidade traslada-se
para Lisboa. O regente do Reino D. Pedro, duque de Coimbra decreta,
em 1433, a criação de um novo Estudo Geral em Coimbra.
Em 1537 muda-se definitivamente de Lisboa para Coimbra. Dá-se
então a transferência para o velho Paço Real
da Alcáçova e faz-se a reforma dos estudos. Foi esta
decisão que mais beneficiou Coimbra e que, poderá
dizer-se, entronca as suas origens na criação de 50
bolsas para escolares portugueses no Colégio de Santa Bárbara
de Paris. Mas o grande momento indiciador e precursor da criação
dos Estudos Gerais, foi o empenho que manifestou em reformar os
estudos no Mosteiro de Santa Cruz, confiando esse trabalho a Fr.
Brás de Barros. O Prof. Mário Brandão diz-nos
que esta reforma dos estudos do Mosteiro constituiria o prólogo
da reforma da Universidade.
Pensa-se que D. João III já tinha em mente a mudança
da Universidade, após um possível conflito entre o
monarca e a Universidade de Lisboa, por esta não o ter eleito
seu protector quando da sua subida ao trono em 19 de Dezembro de
1521. O monarca chegou a admitir a transferência do Estudo
para Torres Vedras, o que não foi aceite pelos edis locais.
A colocação dos estudos na cidade de Coimbra veio
trazer mais dinamismo à Universidade, com a vinda de mestres
portugueses formados em Salamanca, Paris e Alcalá de Henares.
Em Março de 1537 D. Garcia de Almeida, reitor, ofereceu as
casas que tinha junto às portas de Belcouce, para aí
se estabelecerem as aulas de Medicina, Jurisprudência e Decretais.
D. João III passa os estudos de Medicina para o Mosteiro
de Santa Cruz "porque aos estudantes de Física é
muito proveitoso e necessário ouvirem Artes e Filosofia e
terem exercício de letra com os filósofos".
Em 24 de Setembro os paços reais, também conhecidos
pela designação de paços das Alcáçovas
ou paços d'el-rei, são cedidos por D. João
III para neles se estabelecer a Universidade. Inicia-se então
um período de apogeu da cultura portuguesa, mais de acordo
com os cânones do renascentismo florescente. Continua o combate
ao marasmo iniciado no dois reinados anteriores.
D. João II e D. Manuel iniciaram a renovação
com a chamada de alguns professores estrangeiros de nomeada ao mesmo
tempo que proporcionavam subsídios pecuniários aos
portugueses que pretendessem ingressar em centros culturais estrangeiros.
D. João III obrigou a Universidade a grandes transformações
no sentido da aproximação com o ensino das melhores
universidades europeias. foram exonerados muitos professores, sendo
transferidos para Coimbra apenas os que o rei tinha como bons. Vieram
muitos mestres do estrangeiro. Entre eles podemos citar: Martinho
de Azpilcueta vindo de Salamanca graças à intervenção
de Carlos V. Em 4 de Fevereiro de 1538 Manuel de Castro obtém
a primeira licenciatura concedida pela Universidade. Entretanto
cria-se uma grande animosidade entre os professores da Universidade
e os do Colégio das Artes por serem de escolas e formação
diferentes. Uns de formação parisiense e outros bordalesa,
abrem várias frentes de discussão que levam à
prisão de Diogo de Teive, Buchanan e João da Costa,
acusados de heterodoxos pela Inquisição. As acusações
de heresia e o processo inquisitorial que se seguiu afugentaram
os melhores mestres da Universidade. "Os Jesuítas, que
tomaram então a direcção do Colégio,
iniciaram o único movimento intelectual da Universidade que
durante os séculos XVI e XVII teve alguma audiência
na Europa: o da chamada "escola de Coimbra"" (Luís
de Albuquerque in Dicionário de História de Portugal).
As edições e comentários de Aristóteles
ainda hoje são apreciadas. Mas a escolástica aparecia
fora de tempo, não havia condições para o seu
"renascimento", numa altura em que pela Europa se erguiam
figuras, no campo da ciência e da filosofia, como Copérnico
e Galileu. No dia 4 de Novembro de 1555 a Universidade passa a selar
os documentos com o selo de prata que recebeu nesse dia.
A reforma de 1559 relega a Matemática para um lugar secundário
do curso de Artes. Os estatutos passam a prever apenas umas breves
Mathematicas, comuns, de Arismetica, Geometria, Perspectiva.
Em 25 de Fevereiro de 1581 Filipe II declara-se protector da Universidade
e exige 30 mil cruzados pela cedência dos Paços das
Alcáçovas.
Em 17 de Maio de 1597 emite alvará de venda dos Paços
Reais e em 16 de Outubro do mesmo ano faz carta de venda pela quantia
de 30 mil cruzados. A língua latina usava-se na maioria das
aulas. O ano lectivo decorria entre o princípio de Outubro
e o termo de Julho. As aulas eram diárias com a duração
de uma hora, excepto as lições de prima que tinham
a duração de hora e meia. Os jesuítas e a escolástica
contribuíram para a decadência da Universidade que
entrou em agonia lenta. O ensino das disciplinas reflectia essa
agonia pela impermeabilidade com que o progresso das ciências
na Europa era depurado e ocultado. O Compêndio Histórico
(1771), denuncia com extrema violência a "derrocada"
da Universidade e origina acesas polémicas.
No século XVII fazem-se bastantes contratos de técnicos
estrangeiros, o que significa que a Universidade não estava
a cumprir a sua missão de formar homens capazes de dirigir
nos diferentes ramos de actividade. Tendo como precursor o Verdadeiro
Método de Estudar, apresenta razões para um ensino
com base experimental. Aliás, a reforma de 1772 fica a dever-se
à ignorância que os escolares tinham do iluminismo.
Já Verney se queixava e deixou-nos vários exemplos
como o caso da Faculdade de Medicina em que a anatomia humana era
ensinada através da dissecação de carneiros,
quando a pequena reforma de 1559 já previa a dissecação
com cadáveres fornecidos pelo Hospital. A reforma da Universidade
empreendida por Pombal é o culminar da sua acção
governativa dedicada à revalorização do ensino
no País a partir de 1759. Toda a estrutura da Universidade
foi modificada. As Faculdades ficam assim discriminadas:- Teologia,
Direito Canónico, Direito Civil, Medicina, Matemática
e Filosofia. São criadas novas cadeiras e actualizadas outras,
recorrendo-se a professores estrangeiros quando os não havia
competentes em Portugal. O programa foi cumprido em boa parte e
á assim que aparece o Laboratório Químico,
o Jardim Botânico, o Gabinete de Física e Observatório
Astronómico, que iniciaram uma nova forma de ensinar e de
experimentar.
Para dar formação de base acerca das matérias
professadas aparecem, pela primeira vez, os compêndios. Só
a partir de 1911, com o início da República, se vieram
a criar as Universidade de Lisboa e Porto.
Em 29 de Janeiro de 1988 a Universidade adquire terrenos para a
instalação do Polo II, entre a Boavista e o Pinhal
de Marrocos.
A Universidade é a maior empregadora do concelho de Coimbra,
oferece empregos bem remunerados e seguros e contribui, mais que
qualquer outra instituição, para a manutenção
de uma percentagem elevada de postos de trabalho locais no sector
privado. Está também directamente ligada ao aparecimento
e manutenção de centenas de postos de trabalho especializado
em parcerias ou com a criação de associações
privadas, institutos de investigação e outros, em
diversas áreas como a ciência e tecnologia, o direito,
a economia, a farmácia e a saúde. Karl Heinz Delille
faz esta síntese da Universidade no n.º 2 da revista
Atlantis: "Durante séculos, a Universidade de Coimbra
ocupou um lugar central na vida pública e privada portuguesa.
Os momentos altos e baixos por que o País passou, os períodos
áureos e as épocas de crise, reflectiram-se na Universidade
- e também na cidade que lhe deu corpo. Aos grandes períodos
de abertura de espírito, progresso científico e intercâmbio
de professores e escolares, artistas e mestres de obras, deveu-se
o espírito universalista, apanágio da tradição
universitária de Coimbra".
(*)
Texto de Augusto Alfaiate especialmente para o regiaocentro.net.
Fotografias de Leonardo Opitz e José Oliveira.
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