Henrique Tigo |
PRAXE ACADÉMICA
Texto de Henrique Tigo
PRAXE ACADÉMICA
Lá estamos nós novamente em Outubro, com o início
do ano lectivo nas universidades, é tempo de tradição
- as praxes académicas.
Todos nós já ouvimos falar sobre a Praxe Académica
e todos temos uma ideia mais que não seja preconcebida sobre
o que são as Praxes, para uns a Praxe é uma coisa
negativa para outros uma coisa bastante positiva.
Mas o que é afinal a Praxe Académica?
A Praxe Académica é um conjunto de tradições
geradas entre estudantes universitários e que já há
séculos vêm a ser transmitidas de geração
em geração. É um modus vivendi característico
dos estudantes e que enriquece a cultura lusitana com tradições
criadas e desenvolvidas pelos que nos antecederam no uso da Capa
e Batina. Praxe Académica é cultura herdada que nos
compete a nós preservar e transmitir às próximas
gerações.
A palavra Praxe tem ori¬gem na palavra grega praxis que significa
a prática das tra¬dições, dos usos e costumes.
A praxis está de tal modo inserida no nosso quotidiano que
quando alguém procede de certa torna só porque era
esperado, devido à mecânica dos comportamentos sociais
de grupos, não é raro ouvir--se dizer: «Pois...
já é da Pra¬xe,,,»,
Ao contrario do que se possa pensar a praxe não é
para fazer mal ao caloiro ou gozar com ele, mas sim a praxe serve
para ajudar o caloiro ou recém-chegado a Universidade a integrar-se
no ambiente universitário, a criar amizades e a desenvolver
laços de sólida camaradagem. É através
da Praxe que o estudante desenvolve um profundo amor e orgulho pela
instituição que frequenta, a sua segunda casa.
A história da Praxe remon¬ta ao século XIV, praticada
na altura pêlos clérigos monásti¬cos, mas
o seu contexto mais conhecido aparece no século XVI sob o
nome de "Investidas". A Praxe, na épo¬ca, era
na realidade bastante dura para com os caloiros, o que a levou a
ser considera¬da "selvagem" peia opinião popular
nos finais do século XIX.
A Praxe revestiu-se his¬toricamente de diversas for¬mas,
sofreu inúmeras transformações e chegou mesmo
a estar proibida e suspensa. Após o 25 de Abril de 1974 a
Universidade deixou se ver vista como um lugar sagra¬do, destinado
a muito poucos, e assim com a democra¬tização
da Universidade, voltasse a implantar a grande tradição
da Praxe Académica.
E novamente contrariando o senso comum a Praxe Académica,
não existe somente na Universidade de Coimbra e varia de
Universidade em Universidade.
A Praxe Académica e o seu espírito não é
apenas das festas e dos copos, ela também ajuda o indivíduo
a preparar-se para a futura vida profissional. Através das
várias «missões impossíveis» que
o caloiro tem de desempenhar, este vai-se tornando cada vez mais
desinibido, habituando-se a improvisar em situações
para as quais não estava preparado.
Não se pode confundir Praxe Académica com as «pseudo-praxes»,
executadas apenas por indivíduos ignorantes na matéria.
A Praxe não pode nunca ser sinónimo de humilhação
ou de actos de violência barata levados a cabo por uns quantos
frustrados que não sabem o que são as tradições
académicas e só usam um traje para se pavonearem na
esperança de serem notados. São indivíduos
destes os responsáveis pelo actual estado moribundo da verdadeira
Praxe Académica que tem vindo a dar lugar a ditaduras absurdas,
um pouco por todo o lado, que partem de ignorantes que desejam que
a Praxe seja aquilo que lhes apetecer.
A Praxe Académica é regida por uma hierarquia (ordem
decrescente): Dux (aquele individuo que tem mais matriculas da Universidade),
veterano, Doutor Veterano, Doutor, Prastrano, Caloiro (aquele que
acabou de entrar), contendo as actividades realizadas sempre como
base o Bom Senso.
A Praxe Académica e o uso da Capa e Batina representam humildade
e o respeito pelos outros.
Todo o estudante da Universidade Lusófona é obrigado
quando tem a capa pelos ombros, coloca-la de forma a que qualquer
tipo de insígnia não esteja visível. As dobras
efectuadas são pelo n.º de matrículas realizadas
na secretaria da Universidade e uma dobra a mais com significado
livre para o estudante. A capa quando traçada só se
pode ver preto.
O traje masculino é constituído por: Batina preta
sem ser de gala ou de grilo (com 3 botões em qualquer zona
e lapelas acetinadas); Calça clássica preta, com 2
ou 3 pregas, sem dobra na bainha; Gravata preta e lisa ou laço
preto; Colete preto masculino, acetinado e com fivela nas costas,
tecido igual ao da batina, com dois bolsos e cinco botões
(no caso de uso de laço não se usa colete); Camisa
branca lisa com um bolso do lado esquerdo, sem motivos, sem folhos,
sem botões nos colarinhos e com botões brancos; Sapatos
pretos de atacadores (estilo clássico, sem apliques metálicos,
não envernizados, com o numero impar de buracos em cada lado);
Meias pretas; Capa preta lisa e de estilo académico; Cinto
preto; o uso do gorro é opcional; o uso do relógio
só de bolso.
O traje feminino é constituído por: Camisa branca
lisa, com ou sem bolso, sem botões no colarinho; Casaca preta
com dois bolsos com pala (não cintada, com 3 botões
no punho e 3 botões à frente); Saia preta (travada,
e até 3 dedos acima do joelho, racha na zona posterior);
Gravata preta lisa; collans pretas (tipo vidro ou lycra –
não opacas, não podendo usar ligas); Sapatos com salto
até 3 cm, lisos sem fivelas ou apliques; Capa preta lisa
e de estilo Académico.
A vida Académica do estudante é feita de momentos
e de recordações, podendo ser retratadas pelos distintivos,
insígnias, não devendo no entanto ser colocados os
emblemas sem significado a nível académico ou pessoal
para o estudante, pois estes emblemas não passam de acessórios
que vão contra ao que o traje académico representa
a nível académico ( Aos elementos de Tunas Académicas
é permitido o uso de outro tipo de acessórios).
O uso de Pin’s não deverá também ser
exagerado, pois o traje faz parte de uma tradição
académica centenária, por isso não deve conter
acessórios supérfluos.
O Traje Académico deve ser usado com orgulho, mas nunca
com arrogância ou vaidade, pois este simboliza a igualdade
entre todos os estudantes.
A Praxe Académica tem uma mecânica inerente que, ao
ser desrespeitada, acaba por culminar em verdadeiros insultos à
tradição.
A Praxe é dura, mas é a Praxe.
DVRA PRAXIS SED PRAXIS!
Henrique Tigo
Membro da COPA da
Universidade Lusófona
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