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Museus - Coimbra

Coimbra, capital do saber português. Detentora da 3ª universidade mais antiga de toda a Europa e de uma biblioteca cujos móveis exibem a beleza da madeira exótica oriunda do Brasil...

>MUSEU

MUSEU DA SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE COIMBRA

As Misericórdias Portuguesas são instituições de beneficência de cariz religioso, com protagonismo nacional e cuja acção incide no apoio aos mais necessitados. Funcionam como confrarias nas quais os membros (designados por irmãos) se submetem a um conjunto de obrigações e direitos em regime de voluntariado e ao cumprimento das denominadas "14 obras de Misericórdia".
Actualmente a Misericórdia de Coimbra tem a seu cargo o "Colégio dos Orfãos de S.Caetano", Fundado em 1804 e o "Centro de Apoio à Terceira Idade", inaugurado em 1985.
A Santa Casa da Misericórdia de Coimbra foi fundada, por decisão régia de D.Manuel I, no dia 12 de Setembro de 1500 durante o mandato do bispo conde D.Jorge de Almeida. Sobreviveu ao longo dos séculos através da gestão hábil de legados testamentários deixados por inúmeros benfeitores, alguns dos quais se encontram retratados na "galeria de quadros" deste museu. Muitas das peças que se encontram expostas neste espaço, hoje património da instituição, foram generosas dádivas desses benfeitores.
O espaço ocupado por este Museu faz parte do antigo Colégio da Sapiência, dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho que se tornou propriedade da santa Casa da Misericórdia, em 1842, alguns anos após extinção das Ordens Religiosas. O edifício foi construído entre 1593 e 1604, em estilo maneirista, segundo traçado do italiano Filipe Terzi.
Este recinto museológico abriu as portas ao público em 12 de Setembro de 2000, por altura das comemorações dos 500 Anos da fundação da Misericórdia. Dispõe de um espaço equipado com vitrines destinadas a acolher exposições temporárias; de uma sala onde se conservam obras de arte diversa pertendentes ao acervo da Casa; de uma Capela onde se realizam eventos de índole religiosa ou cultural e de uma torre-mirante que oferece uma panorâmica única sobre a urbe.

Roteiro

I - Antiga Sala das Sessões da Mesa ou do Despacho - local onde se realizavam os actos solenes da Irmandade:
Tecto em estuque com emblema da Santa Casa da Misericórdia de Coimbra, século XIX.
Grande pintura a óleo, de António José Gonçalves, representando a ascenção de Nossa Senhora da Misericórdia, século XIX.
Mobiliário diverso de estilo português, séculos XVIII e XIX.
Piano de quarto decauda francês e piano móvel alemão do século XIX.
Pendão de Nossa Senhora da Misericórdia, peintura a óleo sobre tela do século XVIII.

II - Antiga Sala dos Retratos dos Benfeitores - nela podemos hoje admirar:
Painéis de azulejos de padrão do século XVII.
Pintura sacra a óleo de André Gonçalves, século XVIII, pertencente à antiga Igreja da Misericórdia.
Retábulos quinhentistas em pedra de Ançã, de João de Ruão, sobre a Visitação e a Virgem da Misericórdia, pertencentes à antiga Igreja da Misericórdia.
Grupo escultórico da deposição de Cristo no túmulo, em pedra policromada, obra tardo gótica do 1º quartel do século XVI proveniente da antiga Igreja da Misericórdia.

III - Galeria de Retratos da Irmandade - este corredor para além dos painéis de azulejos setencistas e do tratamento conferido às abóbadas, encontra-se abrilhantado pelos retratos, em sucessão cronológica, de inúmeros benfeitores desta instituição.
Exibe um pano na porta bordado com o emblema da Santa Casa da Misericórdia, da segunda metade do século XIX.

IV - Capela da Misericórdia - a abóbada do altar-mor, feita em 1630, está repleta de simbologias de carácter sacro referentes à tradição cristã (na figura ao centro, de St. Agostinho; nas pirâmides que aludem à imortalidade da alma; e nas cartelas que enquadram mitras, sagrados corações e pinhas) e de carácter profano alusivas à epopeia das descobertas lusitanas (na folhagem profusa que remete para a flora universal do mundo português; na carranca obscena do gigante Adamascar, à esquerda; e no rosto sorumbático do pequeno Grifo, à direita).
Os púlpitos maneiristas revelam nas suas coberturas reminiscências franco-belgas.
Nos altares de feição tardo barroca destacam-se: no altar-mor uma imagem de Nossa Senhora da Misericórdia; do lado esquerdo, as imagens oitecentistas de Santo Agostinho e do Sagrado Coração de Jesus; e do lado direito, duas peças seiscentistas de elevado valor artístico, uma Pietá em cantaria e um Cristo de marfim. O lado esquerdo do transcepto, ostenta um pano de porta bordado com o escudo do Reino Unido de Portugal e do Brasil ao tempo de D. João VI.
No coro alto sobressai o órgão alemão, do século XVIII, com caixa em madeira entalhada e policromada, recentemente restaurado.

V - Sacristia - apresenta as paredes totalmente revestidas a azulejos setencistas de padrão.
Possui um arcaz em madeira de castanho com embutidos de marfim, sobre o qual se encontra um conjunto de castiçais e trono eucarístico em talha dourada barroca.
Aí se encontram duas grandes pinturas a óleo, do século XVIII, em fio de seda e prata e com ornamentos do mesmo metal.
Destacam-se ainda uma pintura seiscentista em madeira, de Cristo crucificado, um Cristo morto setencista em madeira de acapuz e um monumental candeeiro das trevas em estilo rocaille.

VI - Anexo à Sacristia - local onde se conservam dois raros presépios de fabricação portuguesa. Um do século XVIII, da escola de Machado de Castro. e outro do século XIX, de cariz popular.
Exibe uma Cadeirinha braçal, da primeira metade do século XIX, para o transporte de doentes.

VII - Claustrim ou antigo Claustro das Orfãs - espaço intimista, inacabado na estrutura das arcadas e no revestimento das abóbadas. Ostenta preciosos painéis de azulejos seiscentistas.

VIII - Torre do Relógio - do Claustrim acede-se a esta Torre construída pela Santa Casa da Misericórdia, em 1859, para nela colocar o sino grande que transitou da antiga capela, sita no andar superior da Igreja de Santiago. O seu mirante oferece magníficas vistas sobre o Burgo.


(*) Material gentilmente fornecido por Augusto Alfaiate, em nome da Santa Casa da Misericórida
Textos de Luis Miguel Fernandes       

 
Uma realização Ectep,Lda.