I - Antiga Sala das Sessões da Mesa ou do Despacho - local
onde se realizavam os actos solenes da Irmandade:
Tecto em estuque com emblema da Santa Casa da Misericórdia
de Coimbra, século XIX.
Grande pintura a óleo, de António José Gonçalves,
representando a ascenção de Nossa Senhora da Misericórdia,
século XIX.
Mobiliário diverso de estilo português, séculos
XVIII e XIX.
Piano de quarto decauda francês e piano móvel alemão
do século XIX.
Pendão de Nossa Senhora da Misericórdia, peintura
a óleo sobre tela do século XVIII.
II - Antiga Sala dos Retratos dos Benfeitores - nela podemos hoje
admirar:
Painéis de azulejos de padrão do século XVII.
Pintura sacra a óleo de André Gonçalves, século
XVIII, pertencente à antiga Igreja da Misericórdia.
Retábulos quinhentistas em pedra de Ançã, de
João de Ruão, sobre a Visitação e a
Virgem da Misericórdia, pertencentes à antiga Igreja
da Misericórdia.
Grupo escultórico da deposição de Cristo no
túmulo, em pedra policromada, obra tardo gótica do
1º quartel do século XVI proveniente da antiga Igreja
da Misericórdia.
III - Galeria de Retratos da Irmandade - este corredor para além
dos painéis de azulejos setencistas e do tratamento conferido
às abóbadas, encontra-se abrilhantado pelos retratos,
em sucessão cronológica, de inúmeros benfeitores
desta instituição.
Exibe um pano na porta bordado com o emblema da Santa Casa da Misericórdia,
da segunda metade do século XIX.
IV - Capela da Misericórdia - a abóbada do altar-mor,
feita em 1630, está repleta de simbologias de carácter
sacro referentes à tradição cristã (na
figura ao centro, de St. Agostinho; nas pirâmides que aludem
à imortalidade da alma; e nas cartelas que enquadram mitras,
sagrados corações e pinhas) e de carácter profano
alusivas à epopeia das descobertas lusitanas (na folhagem
profusa que remete para a flora universal do mundo português;
na carranca obscena do gigante Adamascar, à esquerda; e no
rosto sorumbático do pequeno Grifo, à direita).
Os púlpitos maneiristas revelam nas suas coberturas reminiscências
franco-belgas.
Nos altares de feição tardo barroca destacam-se: no
altar-mor uma imagem de Nossa Senhora da Misericórdia; do
lado esquerdo, as imagens oitecentistas de Santo Agostinho e do
Sagrado Coração de Jesus; e do lado direito, duas
peças seiscentistas de elevado valor artístico, uma
Pietá em cantaria e um Cristo de marfim. O lado esquerdo
do transcepto, ostenta um pano de porta bordado com o escudo do
Reino Unido de Portugal e do Brasil ao tempo de D. João VI.
No coro alto sobressai o órgão alemão, do século
XVIII, com caixa em madeira entalhada e policromada, recentemente
restaurado.
V - Sacristia - apresenta as paredes totalmente revestidas a azulejos
setencistas de padrão.
Possui um arcaz em madeira de castanho com embutidos de marfim,
sobre o qual se encontra um conjunto de castiçais e trono
eucarístico em talha dourada barroca.
Aí se encontram duas grandes pinturas a óleo, do século
XVIII, em fio de seda e prata e com ornamentos do mesmo metal.
Destacam-se ainda uma pintura seiscentista em madeira, de Cristo
crucificado, um Cristo morto setencista em madeira de acapuz e um
monumental candeeiro das trevas em estilo rocaille.
VI - Anexo à Sacristia - local onde se conservam dois raros
presépios de fabricação portuguesa. Um do século
XVIII, da escola de Machado de Castro. e outro do século
XIX, de cariz popular.
Exibe uma Cadeirinha braçal, da primeira metade do século
XIX, para o transporte de doentes.
VII - Claustrim ou antigo Claustro das Orfãs - espaço
intimista, inacabado na estrutura das arcadas e no revestimento
das abóbadas. Ostenta preciosos painéis de azulejos
seiscentistas.
VIII - Torre do Relógio - do Claustrim acede-se a esta Torre
construída pela Santa Casa da Misericórdia, em 1859,
para nela colocar o sino grande que transitou da antiga capela,
sita no andar superior da Igreja de Santiago. O seu mirante oferece
magníficas vistas sobre o Burgo.
(*) Material gentilmente fornecido por Augusto Alfaiate, em nome
da Santa Casa da Misericórida
Textos de Luis Miguel Fernandes