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Sé Velha - Coimbra

Coimbra, capital do saber português. Detentora da 3ª universidade mais antiga de toda a Europa e de uma biblioteca cujos móveis exibem a beleza da madeira exótica oriunda do Brasil...

>MONUMENTOS

IGREJA DA SÉ VELHA

Situada no Largo da Sé Velha, Freguesia de Almedina. No período da reconquista e até cerca de 1140, servia de catedral uma igreja moçárabe dedicada a Nossa Senhora com tectos de madeira.

Em 1162 é lançada a primeira pedra da construção da Sé, devido à acção do bispo Dom Miguel Salomão que nela utilizou os recursos económicos da sé, do rei e da nobreza.

Em 1184 inicia-se o culto regular na Sé. Pertence ao segundo período românico de Coimbra, o afonsino. O arquitecto do projecto foi Roberto, ao tempo residente em Lisboa. Durante dez anos mestre Bernardo tomou conta da obra, sucedendo-lhe Soeiro, após a sua morte. Construção de tipo paralelepipédico com carácter de fortaleza.

A porta principal, virada para poente, integra-se num corpo saliente, à maneira de cubelo de fortificação, encimada por uma grande janela e seu patamar com frestas rasgadas nos panos de muro laterais e janelas rasgadas em arco cego com dois colunelos. Do lado norte estão a Porta Especiosa e a Porta de Santa Clara. A nascente encontram-se as absides e por cima a lanterna do cruzeiro, do século XIII.

O interior tem três naves de cinco tramos, transepto, capela-mor, duas capelas colaterais. As naves colaterais suportam galerias da mesma largura com abertura para a nave central. As abóbadas são semicirculares à excepção das naves laterais que são em aresta. Os pilares são quadrados com quatro colunas integradas, elevando-se a da frente até aos arcos torais. A ornamentação dos capitéis é do tipo floral e zoomórfico.

A capela-mor termina em semicírculo, praticamente oculto pelo retábulo. Do lado do evangelho está a capela de S. Pedro e do lado da epístola a Capela do Sacramento.

Ao lado da Capela de S. Pedro há um pequeno arco onde se abriga um altar do século XIII, com ornatos manuelinos, assim como o túmulo de D. Egas Fafes que lhe fica junto. Do lado sul fica o claustro construído a partir de 1218. Já fora das paredes do claustro, no seu ângulo sudoeste, existiu uma grande torre de que resta apenas a sua parte baixa do século XVII ou XVIII, mandada demolir acima do nível dos terraços da Alcáçova, já depois da transferência da Sé.

Com a instalação aqui da paróquia de S. Cristóvão, foram colocados três sinos em 1839, sobre o corpo avançado da fachada principal. No último restauro os sinos, pertencentes ao colégio universitário de Tomar, foram retirados para um campanário construído para o efeito em cima duma parede lateral da sacristia. Os sinos foram dedicados à Imaculada Conceição (feito em 1699 por ordem do prior Frei Angelo de Brito), S. Pedro e Santa Bárbara (datados de 1794 e assinados pelo fundidor João de Argos).

O retábulo de Santa Clara, junto à porta de Santa Clara, da Segunda metade do século XVI tem quatro colunas coríntias e nichos representando S. Nicolau e S. Cristóvão, orago da paróquia do mesmo nome, do século XVIII. Carta régia de 11 de Outubro de 1772 e provisão de 16 de Outubro do mesmo ano, determinam a mudança da Sé Catedral para a igreja do Colégio das Artes.

De 1772 a 1778 foi sede da Mesa da Irmandade da Misericórdia e suas oficinas que a abandonou para regressar à sua antiga igreja. Os claustros passaram à posse da Universidade que ali instalou a sua imprensa.

Em 1785 a igreja foi dada à Ordem Terceira de S. Francisco que a ocupou até 1816. Em 1816 tornou-se sede da Paróquia de S. Cristóvão. Em 1893 começa a obra de restauro iniciada por D. Manuel Correia de Bastos Pina e dirigida por António Augusto Gonçalves.

O claustro da Sé Velha caracteriza-se por lá se terem processado as primeiras manifestações da arquitectura gótica. A criação gótica do claustro de mestres estrangeiros que criaram o traçado e a decoração. Utiliza-se aqui um formulário arquitectónico novo com reminiscências românicas visíveis na decoração capitelar. Chicó considera aqui a influência directa da primeira fase do gótico francês, atentando na harmonia da proporção e na decoração de alguns capitéis, na solidez dos arcos e no tipo de cobertura.

A Sé Velha é o melhor exemplo do românico em Portugal. Construção de 3 naves abobadadas e abside na pureza de um desenho perfeito. Os azulejos são hispano-árabes e foram comprados por Olivier de Gand em Sevilha em 1503 aos oleiros Fernand Martinez Quijarro e Pedro Herrera.

O magnífico registo mudéjar da Sé Velha, datado de 1477, foi incompreensivelmente demolido. Os pilares e as naves baixas estavam revestidos de azulejos sevilhanos. Há ainda alguns registos importantes de azulejos, como os da capela de S. Pedro, os do ângulo do poente da nave esquerda e os panos dos fundos dos arcos tumulares do transepto. O corredor de acesso à sacristia está revestido de azulejos do século XVII em xadrezado verde e branco. Na sacristia são policromos, de fabricação lisboeta do século XVII.

A capela de S. Pedro está revestida de azulejos e tem um retábulo em pedra de Ançã da primeira renascença. Na parte inferior, três altos relevos, separados por pilastras com pequenos nichos onde se encontram estatuetas de santos, representam S. Pedro penitente, a Crucificação de S. Pedro e a queda de Simão Mago. Três nichos com balaústres na parte superior tem as esculturas da aparição de Cristo a S. Pedro, de S. Pedro e de S. Paulo. A servir de remate, um medalhão aberto alberga o Padre Eterno abençoando. No retábulo está o brasão do bispo D. Jorge de Almeida que está sepultado nesta capela.

A Capela do Sacramento é a mais importante capela da Sé Velha. É semicircular e guarnecida por duas ordens de estátuas. Da época românica só ficou a parte recta da capela. O bispo Dom João Soares ordena a sua construção. A cúpula tem três séries de oito caixotões ornamentados que servem de cobertura ao retábulo pétreo distribuído por toda a capela e dividido em duas partes tendo a parte inferior pilastras e a superior colunas coríntias. Na parte superior estão as esculturas de Cristo e de dez apóstolos. Na parte inferior estão os evangelistas do lado da epístola, a virgem com o menino e um apóstolo do lado do evangelho e ao centro o sacrário com anjos músicos. Na parte inferior, a seguir ao apóstolo, está agora a Senhora da Conceição, imagem de madeira que se encontrava no altar de S. Tomás de Vila Nova, suprimido na restauração da década de 30. Executada por João de Ruão, fica terminada cerca de 1566 como se pode verificar nas datas da cúpula.

Cerca de 1218 começa a construção do claustro, mandado fazer por D. Afonso II. Em 1772 passaram à posse da Universidade que ali instalou a sua imprensa. Fica a sul da igreja. "Obra gótica da época purista" (cf. Inventário Artístico, pg. 13). Para se conseguir espaço para a sua construção, cortou-se o morro de rocha da vertente norte da Alcáçova. É um quadrado com cinco arcos de cada lado, com galerias abobadadas. Os capitéis quase todos de folhagem estilizada e alguns animalistas. No começo da parte norte, também designada por ala de S. Miguel por no seu topo se encontrar a capela do mesmo nome inserida no início da ala nascente, está uma capela quadrada com abóbada nervada e restos de pinturas do século XVI.

A capela de S. Miguel, do século XIII tem o arco de entrada em redondo suportado por um par de colunas. Ali foram sepultados o chanceler Julião Pais e o seu irmão D, Gonçalo Dias. A meio da ala nascente fica outra capela com arco quebrado na abertura. Teria estado aí a capela de Santa Cecília e também a Misericórdia de Coimbra. A seguir fica a capela de Santa Maria dos séculos XIII-XIV, com abóbada de arcos cruzados. A entrada foi modificada. A meio da nave sul há uma capela gótica do século XIV com dois arcos quebrados na entrada. Foi de invocação a Santa Catarina, custeada pelo cónego Fernando Pires. Na galeria poente que outrora se chamou "do cabido", por ali se fazerem as reuniões capitulares na Idade Média, vê-se no átrio da larga escada da antiga imprensa, o que restou de uma capela renascentista. A Pia Baptismal veio da Igreja de S. João de Almedina. Pertence à transição do gótico para o Renascimento. Esta taça, executada entre 1520-40, tem seis faces onde alternam as armas do bispo D. Jorge de Almeida com composições decorativas e duas cenas em baixo relevo representando o Baptismo de Cristo e Moisés salvo das águas. A Porta Especiosa foi executada cerca de 1530 por João de Ruão. "Sobrepõe-se a uma românica, simples, como sondagens demonstraram" (Inventário Artístico, pg. 10). Está dividida em três corpos. "O inferior forma um pórtico entre pilastras, ostentando, nas partes laterais e em nichos, duas grandes esculturas de S. João Baptista e do profeta Isaías e, no tímpano, um medalhão com o busto da Senhora com o Menino. Nos pés direitos havia altos relevos com as figuras das quatro Virtudes Cardeais ... O segundo corpo é formado por uma varanda de colunas, em três vãos adintelados; o terceiro é composto dum remate de três edículas (com o encontro de S. Joaquim e Santa Ana, tendo desaparecido a figura daquele) justaposto a um outro corpo liso, com dois arcos aonde se encontram os bustos de dois evangelistas escrevendo" (Inventário Artístico, pp. 10-11). A Porta de Santa Clara é da primeira metade do século XVI. O Portal, virado para poente, integra-se num corpo saliente, à maneira de cubelo de fortificação, encimado por uma grande janela com aspecto de porta e seu patamar muito salientes dos panos de muro laterais. A profundidade desenvolve-se alternadamente, em espaços de duas ou uma coluna. Na parte mais externa as pilastras decoradas de enrolamentos de folhagem substituem as colunas. Os arcos de volta inteira, em forma de moldura, tem uma parte côncava com botões. Do portal fazem parte também as dez arcaturas sobre cachorros com ornamentos e a janela com um desenvolvimento muito semelhante ao da porta. As paredes lembram panos de muralha coroadas de ameias.

A Sacristia foi reduzida na primeira restauração iniciada em 1893, patrocinada por D. Manuel Correia de Bastos Pina e dirigida por António Augusto Gonçalves. A Abóbada é de caixotões de fim do século XVI. No lavabo, feito de vários mármores, está o brasão de D. Afonso Castelo Branco. Podem ainda admirar-se os retábulos de S. Miguel, de S. Sebastião, de Santa Isabel, de Santa Úrsula e de Santo António.


Largo da Sé Velha
3000 Coimbra
Tel: (039) 82 52 73
Linhas de transporte público: N. 1
Horário:
2a. a Sábado –10.00h às 18.00h
Encerra a 6a. feira de manhã e Domingo.
Preço de entrada: 150$00 (claustro)
Estudantes e Cartão Jovem – 100$00
Escolas - pedido prévio à Igreja da Sé Velha, para posterior avaliação.

 

(*) Texto de Augusto Alfaiate especialmente para o regiaocentro.net. Fotografias de Leonardo Opitz utilizando uma KODAK DC50.



Uma realização Ectep,Lda.