>MONUMENTOS
SÉ NOVA
Antiga igreja do Colégio da Companhia de Jesus, de que faz
parte integrante, outrora conhecida por Igreja do Santo Nome de
Jesus.
Actual sede episcopal e da Paróquia da Sé Nova. O
seu orago é S. Tomás de Vila Nova. Situada no largo
da Feira dos Estudantes, actualmente mais conhecido como Largo da
Sé Nova.
Em 7 de Agosto de 1598 é lançada a primeira pedra
da igreja, pelo bispo Dom Afonso Castelo Branco, tendo-se as obras
prolongado por vários decénios. A sagração
dá-se em 1 de Janeiro de 1640.
Os cinco candelabros de suspensão são desta época,
executados em latão. Também na parte interior da parede
da fachada e nas paredes laterais de algumas capelas, foram colocados
azulejos policromos, de fabrico lisbonense.
Em 31 de Julho de 1698 a capela mor e o transepto são abertos
ao culto. A igreja é abandonada com a supressão da
Companhia de Jesus em 1759. Portaria de el-rei Dom José,
firmada no palácio de Mafra em 11 de Outubro de 1772, para
o Marquês de Pombal, diz que el-rei, tendo prestado o seu
régio assentimento aos piedosos rogos do Vigário Capitular,
declara que o Marquês, de acordo com o Vigário, fizesse
aplicar a igreja do colégio dos Jesuítas a Sé
Catedral. Esta Portaria vem corresponder ao apelo do então
Vigário Capitular, Dom Francisco de Lopes Pereira Coutinho,
e do Cabido, para transferirem a Sé para a igreja dos Jesuítas,
dado que esta estava abandonada e a corporação capitular
sentia-se constrangida pois era demasiado pequena para o grande
número de Cónegos e para as funções
litúrgicas. Provisão de 16 de Outubro vem confirmar
esta transferência. No dia 19 de Outubro de 1772, fez-se a
transferência jurídica da Sé Velha para esta
igreja que passou a chamar-se Sé Nova. Fez a transferência,
por parte do Estado, o Corregedor da Comarca de Coimbra José
Gil Tojo Borga e Quinhones e receberam-na o Vigário Capitular
Dom Francisco de Lemos Pereira Coutinho por parte da mitra (o bispo
Dom Miguel da Anunciação estava preso em Lisboa) e
os cónegos Nuno Pereira Coutinho e Rodrigo de Almeida, procuradores
do Cabido. No dia 21 trasladou-se solenemente o Santíssimo
Sacramento da Sé Velha para a Sé Nova.
Os Estatutos dos Beneficiados, contidos em portaria assinada por
Dom Francisco de Lemos em 7 de Setembro de 1796, dizem "que
o novo pároco tenha o título de reitor, uma murça
com capuz, botões e forro, tudo de cor preta e ocupe o primeiro
assento no banco dos Beneficiados, da parte do Coro no lado da Epístola".
No terceiro quartel do século XIX D. Manuel Correia de Bastos
Pina faz grandes obras de reparação. O Padre Manuel
José da Cunha foi o primeiro pároco da Paróquia
da Sé Nova. A fachada compõe-se de dois corpos sobrepostos.
O primeiro corpo, mais largo e mais alto, em forma de quadrilátero,
tem seis grupos de pilastras dóricas, três portas e
três janelas centrais, ladeadas por quatro nichos com as imagens
de santos da Companhia de Jesus: nos dois grupos laterais à
direita, Santo Inácio e S. Luís Gonzaga; nos dois
à esquerda S. Francisco Xavier e S. Francisco de Borja. O
corpo superior é mais estreito e tem dois conjuntos de pilastras
jónicas sustentando frontões interrompidos.
O frontão principal, mais elevado, tem as armas da nação.
Por cima e nos extremos do corpo inferior, duas aletas e, na base
destas, duas esculturas dos santos Pedro e Paulo, com o dobro do
tamanho natural, harmonizam as diferenças de largura.
O interior é de uma só nave, à maneira jesuítica,
com quatro tramos divididos por pares de pilastras dóricas
encimadas por um grande entablamento, com capelas laterais entre
as pilastras, comunicando entre si, cúpula no cruzeiro, transepto
pouco profundo e capela-mor rectangular.
O coro é suportado por duas colunas. Na abóbada existem
três ordens de arcos torais por cada tramo, do mesmo teor
das pilastras. As abóbadas do transepto e da capela-mor têm
tramos mais curtos, apenas de duas ordens de treze quartelas. Ainda
no transepto, estão duas grandes telas do século XVII,
retiradas das capelas que evocam a Adoração dos Magos
e o Presépio. No cruzeiro, uma cúpula sem tambor intermédio,
semi-esférica e com cinco ordens de caixotões "assenta
num entablamento circular que se apoia nos arcos por intermédio
de triângulos esféricos. Um lanternim remata a cúpula.
São famosos os retábulos da igreja, todos do barroco,
de madeira entalhada e dourada: retábulo do altar mor; retábulos
do transepto dedicados à Sagrada Família e à
Assunção e ainda dois outros pequenos retábulos
também no transepto e colocados nas paredes do lado da capela-mor;
retábulos da nave do lado direito nas capelas do Sacramento,
de S. Tomás de Vila Nova e de Nossa Senhora das Neves; retábulos
da nave do lado esquerdo nas capelas de Santo Inácio, da
Vida da Virgem e de Santo António. De notar que as capelas
"têm grades de madeira exótica, de balaústres
torneados ou espiralados, com bronzes recortados em chapa".
(Cfr. Inventário Artístico de Portugal - Cidade de
Coimbra). De interesse também os vários anjos tocheiros
existentes.
O chamado Tesouro da Sé vindo da Sé Velha para esta
catedral, foi parar ao Museu Nacional de Machado de Castro, ficaram,
no entanto, algumas espécies correntes de diversos séculos,
tais como a grande banqueta de prata (primeiro quartel do século
XVII) composta de cruz e sete castiçais e quatro imagens
bustos representando S. Pedro, S. Paulo, S. Francisco e Santa Luzia.
Alguns sinos vieram da Sé Velha, outros são do tempo
dos jesuítas e outros ainda são de datas posteriores.
Na parte interior da parede da fachada e nas paredes laterais de
algumas capelas, foram colocados azulejos policromos, do século
XVII, de fabrico lisbonense.
O cadeiral é de finais do século XVII, fica na capela
mor e foi mandado construir pelo bispo D. João de Melo para
a Sé Velha. As cadeiras são de madeira exótica
com grande parte dos bronzes desaparecidos. O espaldar é
de talha dourada com telas entre as consolas. Catorze dessas telas
narram a Vida da Virgem.
No século XVIII fez-se um acrescento com duas telas de muito
fraca qualidade, de Manuel da Silva, representando evangelistas.
Pouco depois de cedida a igreja ao cabido catedralício para
sé, "a capela-mor foi ampliada para o dobro do tamanho,
no sentido do comprimento. O retábulo, de madeira entalhada
e dourada, do fim do século XVII tem duas colunas torcidas
de cada lado, enramadas de pâmpanos. De cada lado entre a
abertura central e os pares de colunas, ficam quatro nichos de santos:
do lado esquerdo; Santo Inácio e S. Francisco de Borja e,
do lado direito, S. Francisco Xavier e Santo Estanislau Kotska,
esculturas de nível artístico que as dos retábulos
do transepto.
Na parte central do retábulo há um presépio
e um trono de prata, ambos do século XVII. Capela de Nossa
Senhora das Neves fica à entrada da igreja do lado direito
e pertence à primeira metade do século XVIII. As colunas
são joaninas, torcidas com grinaldas de flores. No nicho
central, em tamanho natural, está a imagem de Nossa Senhora
das Neves. Em cada um dos lados estão as imagens de Santa
Ana e de S. Miguel, em tamanho médio.
A capela da Pia Baptismal fica sob o coro, do lado esquerdo. O retábulo
é da Segunda metade do século XVII, com duas pilastras
coríntias. Sob o arco médio encontramos a escultura
de Cristo Crucificado com Madalena ajoelhada. Dos lados uma imagem
de S. João e outra da Virgem, não estão proporcionadas
em relação ao Cristo. No frontão, a figura
do Padre Eterno.
A capela da Ressurreição fica do lado esquerdo, entre
a capela de Santo António e a de Santo Inácio. É
a Segunda a contar do transepto. Pertence à Segunda metade
do século XVII, tem oito colunas coríntias com o terço
inferior das mesmas ornado com hastes de acanto. Ao centro de cada
dois pares de colunas está: na parte superior uma tela representando
o Aparecimento de Cristo à Virgem e na parte inferior a tela
da Ressurreição. Sobre o altar podemos observar duas
esculturas do século XVII, Santa Bárbara e Santa Catarina
e uma do século XVIII que representa S. Pantaleão
ligado a uma cruz em X. Sobre uma mísula está a escultura
da mártir de Coimbra Santa Comba.
A capela de S. Tomás de Vila Nova fica do lado direito da
nave central da igreja, imediatamente antes da capela do Sacramento.
É o mais rico altar do templo, com revestimento completo
do espaço da capela em talha dourada barroca de finais do
século XVII, incluindo o tecto. Quando foi colocado ficou
sob a invocação de S. Francisco Xavier. A invocação
de S. Tomás de Vila Nova deve-se ao facto de aqui ter sido
colocada a imagem deste santo, obra espanhola do século XVII,
vinda da Sé Velha quando o cabido tomou posse da Sé
Nova.. Também aqui se encontram, em nichos das paredes laterais,
as imagens de S. Estanislau Kotkta e S. Luís de Gonzaga.
A capela do Sacramento fica na nave central do lado direito, junto
ao transepto. O retábulo proto-barroco, do século
XVII, tem quatro pares de colunas coríntias, sendo os dois
pares de baixo decorados com enrolamentos de acanto no seu terço
inferior. Na parte central e por cima, uma tela do século
XVII da Trindade e por baixo outra tela de Nossa Senhora da Conceição,
da mesma época. O sacrário é de fabrico posterior.
A capela de Santo António fica do lado esquerdo, antes da
capela da Ressurreição. O retábulo é
da Segunda metade do século XVII, em madeira dourada, com
colunas coríntias em dois corpos, sendo as quatro colunas
inferiores revestidas com enrolamentos de acantos. No centro do
corpo inferior está uma má réplica da Senhora
do Pópulo, de Roma em forma oval, com a moldura cercada de
anjos desnudos. A imagem de Santo António foi colocada em
frente e na parte inferior da pintura oval. Não tinha o Menino
que foi acrescentado em 1945. Na parte superior vemos, ao centro,
Nossa Senhora da Assunção e, dos lados, S. João
Baptista e S. João Evangelista. Na parede, do lado direito,
há uma tela representando a Adoração dos Magos,
do século XVIII. Sobre o altar vemos duas pequenas esculturas
em madeira, do fim do século XVII: Santa Cecília e
Santa Quitéria.
A capela de Santo Inácio fica do lado esquerdo imediatamente
antes do transepto. É de meados do século XVII, tem
dois corpos com quatro colunas coríntias cada um, com folhagens
no terço inferior e nos frisos do entablamento. Tem ao todo
dez nichos, sendo dois maiores no centro de cada corpo, com Nossa
Senhora da Conceição no superior e Santo Inácio
no inferior. Os restantes oito, mais pequenos tem as seguintes imagens:
no corpo superior S. Jorge, S. João Baptista, S. Francisco
de Assis e S. Cristóvão, e no corpo inferior, S. Francisco
Xavier, Santo Estanislau Kotska, S. Francisco de Borja e S. Luís
de Gonzaga. Na base estão quatro baixos-relevos alusivos
a Santo Inácio.
A capela da Vida da Virgem é da Segunda metade do século
XVII e fica, do lado direito, antes da capela de S. Tomás
de Vila Nova. O retábulo tem colunas coríntias, sobrepostas,
com o fuste decorado de folhas de acanto. Tem vários altos
relevos, sendo os de baixo de grande valor artístico. Representam
a Coroação da Virgem, ao centro, ladeado pela Assunção
e Anunciação da Virgem. Os relevos da parte superior,
de menor qualidade, são dedicados à Sagrada Família,
à Senhora da Conceição e à Visitação.
Na base do retábulo, pequenos relevos evocam o Nascimento,
a Apresentação e o Casamento da Virgem. Mármores
de várias qualidades revestem a parte inferior das paredes
laterais. Os Claustros estão divididos entre departamentos
da Faculdade de Ciências e anexos da Igreja da Sé Nova.
São obra do século XVII, com pilastras abrangendo
os dois pisos de que é composto, rematadas pelo entablamento
de suporte do beiral, sobre o qual assentam os fogaréus.
A parte inferior é composta por duas alas com sete arcos
e outras duas com seis, cobertos por abóbadas com arestas
em tijolo. O piso superior é composto por janelas rasgadas,
uma por cima de cada arco.
Largo da Feira
3000 Coimbra
Tel: 239 82 31 38
Linhas de transporte público: N. 1
Horário:
3a. a 6a. feira - 9.00h às 12.30h
- 14.00h às 17.30h
Encerra a 2a. feira.
(*) Texto de Augusto Alfaiate especialmente para o regiaocentro.net.
Fotografias de Leonardo Opitz utilizando uma KODAK DC50.