>MONUMENTOS
IGREJA DE SANTA CRUZ
Construída no local denominado por "banhos reais",
por fundação régia de Dom Afonso Henriques.
As obras foram planeadas por mestre Roberto, arquitecto de origem
francesa e inserem-se no segundo período do românico
coimbrão ou afonsino.
Em 28 de Julho de 1131 a pedra fundamental da igreja é lançada
por Dom Afonso Henriques e benzida por Dom Bernardo.
Em 7 de Janeiro de 1228 a primitiva Cruz é sagrada pelo bispo
sabinense Dom João que veio a este reino como "legado
a Latere". Não resta quase nada desta primeira construção.
Em 1507, após a visita de Dom Manuel I, quando se deslocou
a Compostela, o templo e as dependências conventuais sofreram
grandes remodelações que só terminaram no reinado
de Dom João III. A construção da actual fachada
e do abobadamento geral - corpo e capela mor - da igreja são
executados de 1507 a 1513. à fachada são acrescentados
o portal, o coroamento e as esculturas de João de Ruão
e Nicolau Chanterenne. O guarda-vento foi executado no século
XVIII e é da autoria de José do Couto. Tem abóbada
manuelina de grande beleza, lançada sobre a extensa nave
e flanqueada pelas diversas capelas quatrocentistas e quinhentistas.
O coro alto onde se destaca a abóbada inferior de tipo estrelado,
foi executado em 1530 por Diogo de Castilho, sendo a decoração
feita por João de Ruão. Na nave da igreja há
magníficos azulejos historiados, barrocos e monocromos, em
azul, de fabrico lisboeta do séc. XVIII. O cadeiral de estilo
manuelino foi executado pelo entalhador Machim em 1512. Em 1531
o seu compatriota Francisco Loret faz obras de adaptação
no cadeiral. A capela-mor de forma rectangular, é coberta
por uma abóbada de tipo estrelado. O Órgão
é obra de Manuel Benito Gomez Herrera. O portal da igreja,
executado de 1523 a 1525, foi concebido por Diogo Castilho, sendo
a obra escultórica feita por Nicolau Chanterenne. Depois
de 1530 João de Ruão executa as esculturas representando
a virgem, um profeta e o rei David, no portal, ao nível do
coro alto. O púlpito foi executado por Nicolau Chanterenne
a partir de 1521.
Em 1985 o Cónego Nunes Pereira descobre a data da edificação
do púlpito. A sacristia, feita entre 1622 e 1624, é
obra maneirista delineada por Pedro Nunes Tinoco. Tem bonitos azulejos
policromados do século XVII e quadros de grandes mestres.
Uma das portas da majestosa sacristia está datada de 1622.
O túmulo de D. Afonso Henriques. Fica no tramo central da
Igreja de Santa Cruz. Mandado construir por D. Manuel I aquando
da sua visita a Coimbra em 1502. Segundo Dom Timóteo dos
Mártires, a trasladação deste rei e de D. Sancho
I para os sumptuosos túmulos foi efectuada com toda a pompa,
na presença de Dom Manuel I, em 16 de Julho de 1520. Segundo
a Crónica dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho
de D. Nicolau de Santa Maria, trasladação efectuou-se
em 25 de Outubro de 1515. D. João Homem, cavaleiro fidalgo
da casa del-Rey D. Manuel estava presente na cerimónia de
trasladação e contou como se segue: "O corpo
do devoto Rei D. Afonso Henriques achou-se inteiro, incorrupto,
a carne seca, a cor pálida e macilenta, mas de aspecto severo
que parecia estar vivo. Tinha vestido uma garnacha comprida de pano
de lã branca, e uma sobrepeliz de pano de linho. Isto tão
inteiro e são como se naquela hora lhas vestissem ... O Senhor
Rei D. Manuel o fez mostrar à nobreza e povo desta cidade"
(Citações retiradas de: Quem tem medo de D. Afonso
Henriques). O túmulo primitivo era de madeira de cedro. O
túmulo de D. Sancho fica também no tramo central da
Igreja em frente do Túmulo de D. Afonso Henriques e é
coevo do daquele rei.
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(*) Texto de Augusto Alfaiate especialmente para o regiaocentro.net.
Fotografias de Leonardo Opitz utilizando uma Kodak DC50.