|
>PATRIMÓNIO
NATURAL
Ria
E pensar que
a formosa Ria resultou de um acidente hidrográfico? É
verdade e um dos mais belos da costa portuguesa.
A Ria de Aveiro é o resultado do recuo do mar, com a formação
de cordões litorais que, a partir do séc. XVI, formaram
uma laguna.
Esta extensão lagunar ocupa 11.000 hectares, dos quais 6.000
estão permanentemente alagados, e é composta por quatro
grandes canais ramificados em esteiros que circundam um sem número
de ilhas e ilhotes. Ela é também o local eleito pelos
rios Vouga, Antuã e Boco para desaguar os seus caudais.
Intrinsecamente ligada ao mar, dada a sua proximidade geográfica,
a Ria é ainda por ele influenciada directamente. Comunica
com o "filho do oceano" através de um canal que
corta o cordão litoral entre a Barra e S. Jacinto, permitindo
o acesso de embarcações de grande porte ao Porto de
Aveiro.
Rica em peixes e aves aquáticas, possui grandes planos de
água, locais de eleição para a prática
de todos os desportos náuticos. E, sobretudo, é utilizada
para a produção de sal. Uma actividade que já
teve grande importância na economia aveirense, mas que tem
vindo a perder com o decorrer dos anos a sua preponderância.
Ainda assim, esta cultura continua viva, existindo actualmente dezenas
de salinas em laboração. Praticada por meio de técnicas
milenares, a produção de sal constitui uma das actividades
tradicionais mais características de Aveiro.
Quanto ao Norte da Ria, a sua especificidade continua a dar cor
à paisagem através da navegação frequente
dos barcos moliceiros. Estas embarcações únicas
e de linhas perfeitas, decoradas com ingénuos painéis
decorativos, continuam a apanhar o moliço fertilizante de
eleição, bem dentro dos mais exigentes e actuais parâmetros
ecológicos, que transformou solos estéreis de areia
em exuberantes terrenos agrícolas.
Reserva
Natural das Dunas de S. Jacinto
Situada no
cordão litoral norte da Ria de Aveiro, esta reserva é
o local por excelência da observação da fauna
e flora, com destaque para as aves migratórias. Foi criada
em 1979 com o intuito de proteger as dunas e o respectivo património
florístico e faunístico. Um desafio que foi vencido
já que além de representar uma das relíquias
do ecossistema litoral do país, é uma das mais bem
conservadas da Europa.
A reserva concentra elementos típicos da fauna e flora marinha
e também da floresta. Isto porque as dunas estão associadas
a uma mata de resinosas com cerca de 100 anos de idade, preenchida
por núcleos de folhosas associados a pequenas zonas húmidas.
Um espaço bastante rico e heterogéneo que por isso
mesmo é considerado um ex-libris dos locais de maior interesse
educativo.
Quanto a medidas. A superfície da reserva é de 666
hectares, dos quais 90 são de reserva de recreio, 473,5 de
reserva parcial e os restantes 102,5 de reserva integral.
Apreciá-la só mesmo com um passeio a pé e algumas
horas disponíveis. E não faltarão atractivos
neste meio natural para que a visita se torne numa das mais belas
descobertas do que nos oferece a natureza. A própria reserva
está preparada para receber os visitantes e ao longo do trilho
foram previstas paragens em locais considerados de maior interesse
e, ainda, zonas para merendas, devidamente equipadas. Dizem os técnicos
que o tempo médio para percorrer a totalidade do trilho é
de cerca de duas horas.
Texto
de Joana Simões especialmente para o regiaocentro.net
*Fotos participantes do 1o. Concurso Fotográfico RC. Reproduzidas
em concordância com o regulamento do Concurso.
|





|