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>REPORTAGENS

GASTRONOMIA
«O PÃO DE CENTEIO» - Uma Tradição Antiga


Portugal é um país onde o pão é uma tradição popular. E na Beira interior esse pão é feito com farinha de centeio. E porquê este cereal? Nestas regiões, onde os terrenos são mais pobres, o povo arranjou outras sementes para a agricultura. Assim surgem nesta vasta área de montanhas acentuadas e vales profundos enormes extensões de centeio com o qual se fazia o pão do dia-a-dia. Durante séculos foi um pão que se comia por obrigação porque era o que havia e em pouca quantidade. Depois surgiram os padeiros que andam de terra em terra a vender pão branco, "mais macio" e os fornos tradicionais entram em declínio. Actualmente, nas aldeias serranas, é normal encontrarem-se os fornos comunitários caídos e os particulares muito danificados. Com a chegada da era do turismo nos espaços ditos rurais esta tendência conheceu um revés. Agora os turistas procuram os produtos típicos de cada região e entre eles está sempre o pão, neste caso o pão de centeio, amassado à mão e cozido em forno de lenha. Na aldeia de Linhares da Beira, na Serra da Estrela a farinha ainda vem do centeio aí semeado que depois de ceifado é entregue no único moinho de água ainda a funcionar. Dele sai a farinha em estado puro, sem aditivos. É com esta farinha que se faz um pão de centeio muito saboroso. Nesta aldeia é possível adquirir o pão de centeio numa das lojas de artesanato.

Nota: antigamente este pão era feito nos fornos comunitários e era consumido durante cerca de duas semanas. Havia um forneiro que aquecia o forno, tratava da lenha, deitava o pão e cuidava dele durante a cozedura. O forneiro ficava com um pão como pagamento pelo seu trabalho ("poia" era o nome deste pagamento). Por dia coziam várias pessoas e cada uma marcava a sua vez junto do forneiro. Linhares tinha dois fornos comunitários, mas nos últimos tempos apenas um funcionava. Actualmente um desses fornos foi recuperado e a "Casa do Forno" foi transformada numa casa de turismo, neste momento cedida a um instituto público.


(*) Textos e imagens de Salome Joanaz especialmente para o regiaocentro.net


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