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SERRA
DO RABAÇAL
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2001 - Agosto/Setembro
Rabaçal
(fitotoponímia) significa campo de plantas da família
das umbelíferas (rabaça - Apium Nodiflorum L.).
Esta planta é ainda um tempero muito apreciado na região.
A
cerca de 25 Km de Coimbra, surge imponente a Serra do Rabaçal.
O acesso a partir de Coimbra é feito através da N1
em direcção a Condeixa e depois seguindo as indicações
para Penela (347). Num determinado ponto, mais ou menos a meio do
percurso, surgirá uma cortada à esquerda indicando
"Rabaçal".
A
partir daí, terá um passeio agradável e tranquilo
por uma estrada estreita no meio do campo. No nosso passeio, logo
no início do caminho encontramos um milhafre a cortar o céu
em busca de pequenos roedores ou talvez pequenos répteis.
Seu vôo quase que planando no vento nos fez pensar qual seria
a sensação de ver do alto toda a serra, com sua vegetação
muito característica; ora extensões de relva rasteira
e seca pelo calor do verão, ora o verde pálido das
oliveiras, ora ainda manchas de verde vivo de pinheiros, olmos e
eucaliptos. Isso para não falar das vinhas. Suas folhas começavam
a adquirir tons avermelhados, dando mostras de que faltam apenas
20 dias para o fim do verão. O Aeroclube de Cernache (perto
de Condeixa) dispõe de aeronaves para passeios aéreos
por cerca de 5c por 20 min de vôo.
Fomos
primeiro visitar a Villa Romana do Rabaçal. Uma antiga quinta
romana do século IV ou V, situada a 12 km de Conimbriga.
Provavelmente pertencia a uma família nobre, que tinha na
agricultura uma fonte de riqueza. Esta quinta deveria contar com
cerca de 100 ou 150 hectares de terreno, ou seja, uma área
bastante maior que os 50/60 ha habituais.
A
Villa Romana do Rabaçal começou a ser estudada em
1979 e em 1984 começaram a escavar. Após um minuncioso
trabalho de escavações, surgiu a estrutura da casa
principal, relevando mosaicos de invulgar beleza, como o das quatro
estações, muito bem conservado. O complexo era composto
pela parte residencial e pela parte rústica equidistantes
(40m) da zona dos balneários.
É
interessante notar que os romanos eram muito rigorosos nas suas
construções e obedeciam sempre a certos padrões
arquitectónicos e aos princípios definidos pelo arquitecto
Vitrúvio (I a.c.) no seu livro "De Architectura".
No centro da villa áulica, residência nobre,
estava o peristilo (pátio
central com pórtico de vinte e quatro colunas e oito corredores)
octagonal orientado segundo a rosa dos ventos. Este corresponde
ao pátio interior, tão
característico da arquitectura mediterrânica. O peristilo
era uma zona de lazer, de grande frescura no verão, pois
normalmente havia uma fonte no centro e muitas flores e árvores.
O
que torna a villa romana do rabaçal singular é a forma
geométrica octagonal do seu peristilo.
Uma das perguntas mais frequentes é "onde foi parar
o resto das pedras usadas nas paredes da casa?". Era comum
nesta época a reutilização das pedras de casas
em ruínas para a construção de outras habitações.
Ainda hoje, pode-se encontrar em muitas casas do Rabaçal
pedras que outrora pertenceram a esta Villa romana.
Outra
visita a não perder é o Centro
de Interpretação ou Espaço
Museu situado na Rua da Igreja. Os objectos encontrados
nas escavações foram estudados, catalogados e organizados
e agora encontram-se expostos para o deleite dos visitantes.
Após
esta visita pelas origens da povoação, fomos ao encontro
da serra. A paisagem novamente apresenta variações
bruscas do amarelo queimado das gramídeas ao verde vivo dos
pinheiros. Embora a maior parte da paisagem seja de gramídeas
e oliveiras, existem manchas de pinheiro. Entre as gramídeas,
encontra-se com frequência a alcachofra, utilizada na fabricação
do Queijo do Rabaçal um queijo de cabra e ovelha,
amarelo amantegado, com sabor muito próprio, derivado em
boa parte dos pastos espontâneos de erva aromática
de Santa Maria (tomilhinha - Thymus L.). É possível
adquiri-lo directamente com os agricultores locais.
Do
cimo da Serra, pode-se avistar todo o vale em forma de banheira,
alongado por cerca de 10 km no sentido do comprimento norte-sul,
os montes gêmeos, com as ruínas do antigo castelo de
D. Afonso Henriques (séc. XII), as vinhas e as aldeias. Por
cima, sobrevoando, encontrei novamente o milhafre, num vôo
tranquilo aproveitando as correntes de ar. Contudo, estes areas
não são sobrevoados apenas por milhafres, é
frequênte a prática de parapente e paraquedas, que
aproveitam as elevações e os amplos campos.
Tomei
conhecimento ainda da existência de uma gruta na encosta de
Legacão, que teria galerias com acesso ao interior de uma
nascente, mas o dia já ia a terminar e terá de ficar
para um próximo passeio.
Texto:
Juliana Goto / 2001
Fotografia: Leonardo Opitz / Ago/Set 2001
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